quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dezesseiscore.

    Toda pessoa, animal, ser vivo e derivados tem aquela idade, ou fase, que sempre recorda e fala "legal era quando..." e lá vai falar da sua infância anos 90 e et cetera. Mas comigo, nada superou meus dezesseis anos, sério mesmo. Não foi meu ano que fiz mais merda, ou que fiz tudo o que queria, mas foi o que eu realmente aproveitei mais, então, vamos aos fatos.
    Naquela época, eu era muito skatecore e punk.. pop, não curtia, e nem curto, muito esse lance de roqueiro-punk-anarquia-HOI-HOI/moicano/demonho-eu-sou. Curtia e curto mais as vibes das bandas anos 90. Andava largadão mesmo, bermudão, camisa de banda, cabelo bagunçado, alargador truando (escondido dos pais), meu rosto ta a mesma bosta que era desde os meus 15 anos, e a única cosia que muda são as posição das espinhas, meu cabelo e um projeto de barba/cavanhaque/bigode. Ah! Eu fazia crisma. Pois é, minha crisma.. só fui pro primeiro dia de crisma, e ainda me lembro dos professores perguntaram para cada um da sala, qual o motivo que fez tal pessoa ir pra lá, e ainda me lembro de todos falando que foi Deus, ou a paz no espírito que tinha quando chegava lá, ou que já tava enjoada de baixar o caboclo nos terreiros, outros falavam que era para aprender coisas novas, outros para ser catequistas, e eu falei que minha vó me forçou... não, não falei... mas ficou na ponta da língua. Enfim, essa lance de crisma só era legal porque tipo, eu gaziava a aula de crisma, GAZIAR CRISMA! Meu Deus... pois é, gaziava pra andar de skate com a galera. Passava a tarde quase toda fazendo drible de skate enquanto o resto do pessoal fazia Le Pakour, que na época achava que era preparatório pra ladrão, já hoje, descobri que é só uma cadeira pra faculdade cujo nome é Introdução a Invasão e Furtos em Residência e Fuga Policial. Depois de toda a vibe lá no pólo de lazer, skatezinando, eu voltava pra casa pingando suor, sorte que minha mãe nunca desconfiou que eu gaziava, sei que não durou muito tempo, deu uns 3 meses eu saí, porque não gosto de enganar Deus.
    Já meus sábados era pura alegria nos encontros no shopping com pessoal, pra "azarar as menenenha tudo", mas que a verdade seja dita, ninguém azarava porque éramos cagões (agora só restou eu) e não chegávamos em ninguém. Mas legal era quando rolava encontro da galero do PAPO TV. Ali foi uma época muito foda cara, que o pessoal se encontrava e tipo, ninguém chamava pelo, era só pelo o apelido do chat, "muita viají", teve nome de pessoas que só fui descobrir tempo depois quando adicionava no Orkut, (é, Orkut) e tipo, ainda coloca o nome e o apelido do Chat. Depois que começaram esses encontros, a ponte metálica nunca voltou a ser a mesma. O legal que o pessoal era tudo junto, aglutinado mesmo, sem justaposição, tribos diferentes e tudo mais. Foi a época que descobri o etílico. Me lembro também que a galera comprava uma garrafa de vinho pra 5 pessoas, depois de uns 2~3 copos eu já tava tri-louco cantando Stay Together For Kids pra todo mundo que quisesse ouvir, era uma vibe legal. No princípio, era legal, tranquilo, mas depois com a globalização e a pirangagem de "lekes-piranha", foi aumentando deficit de pessoas cool aqui na cidade de Fortaleza Bela, o lugar foi ficando acabado e perdendo o interresse do galero. E foi depois disso que descobri os festivais de bandas underground de fundo de poço daqui.
    A vibe desses festivais era muito trash cara, ingresso no máximo era 2 conto (a meia), e era 5~6 horas de música, roda punk, chiqueiro, vinho, direto. Os mais fodas era os festivais do Panela Rock, que rolava nos pólo de lazer e derivados, mas o "show" mais trash que eu fui, com todo certeza foi o que a galera da banda (nem lembro se a banda tinha nome) de uma amiga minha, alugou um quarto de uma casa, e cobrou 2 conto a entrada. Era um quarto, com os instrumentos todos armados lá, e tipo, o quarto tinha uma janela que dava pro meio da rua, então traduzindo, a rua era o camarote, e era de graça. Mas como eu nunca fui muito de gostar de camarote, paguei 2 conto pra pirar na sala de um desconhecido, com músicas de uma banda que eu nunca tinha ouvido, só pra participar das roda punk e bater cabeça, porque era muito \m\.
    Se eu falar que não me arrependo de nada que fiz nos meus 16 é mentira, porque eu poderia ter demorado mais tempo com braço quebrado e ter faltado mais uma semana de aula no meu 2°ano, poderia ter ficado mais com Sâmia se não fosse tão prego e lesado, poderia ter ido para mais shows escondido e acabaria conhecendo o bairro da Serrinha (mentira, isso eu não me arrependo não, muita bala por lá).
    Enfim, é isso, me arrependo de coisa que aproveitei, mas que poderia ter aproveitado mais. Me bate uma chatiação dessas pessoas que nega "suas origens", nega como era antes e tenta esconder ao máximo e se sente envergonhado quando outros descobrem. Isso é muita hipocrisia, no meu ponto de vista. Cara, a adolescência é algo tão fodido que, pelo menos pra mim, foi a fase que eu mais esperei, porque eu com 9 anos já me achava pré-adolescente, só pra ter o prazer de falar adolescente (adolescente é uma palavra escrota e legal de ser falada direto), e também é a fase de que eu mais sinto falta, porque as suas histórias entre 14~17 anos são as mais interessantes e aquelas que você sempre vai ter uma pra lembrar pra contar pros seus filhos, netos, ou pessoas que passarem na rua e não lhe der esmola. Saindo do suco de caju e indo pra cajuína, não tem como eu escutar Adam's Song, do Blink 182, (que por sinal é a música mais fodida que existe na opinião dos meus ouvidos e meus 4 olhos) e ficar brisando, principalmente quando escuto o Mark, lindamente cantando "16 just held such better days" . Tenho orgulho mesmo do que fui nessa época que foi o que me tornou agora. Enfim, foi bom a nostalgia desse post. Não chorem ou me denuncie.


Bye guys, and fuck around.

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